terça-feira, 23 de julho de 2013

Trabalho Final (sem imagens)



INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SANTA CATARINA
CÂMPUS FLORIANÓPOLIS
DEPARTAMENTO DE LINGUAGEM, TECNOLOGIA, EDUCAÇÃO E CIÊNCIA
CURSO INTEGRADO DE ELETRÔNICA


Amabyle R. Heck
André L. Gomes
Luan R. Boschini
Lucas C. da Silva
Vítor M. Nunes









Reciclagem de Óleo de Cozinha

Trabalho final do Projeto Integrador 1.
















Florianópolis
2013
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SANTA CATARINA
CÂMPUS FLORIANÓPOLIS
DEPARTAMENTO DE LINGUAGEM, TECNOLOGIA, EDUCAÇÃO E CIÊNCIA
CURSO INTEGRADO DE ELETRÔNICA


Amabyle R. Heck
André L. Gomes
Luan R. Boschini
Lucas C. da Silva
Vítor M. Nunes








Reciclagem de Óleo de Cozinha





Trabalho final, entregue como requisito para conclusão da Unidade curricular Projeto integrador 1. Professores orientadores: José Roque e Rodrigo.














Florianópolis
2013
Agradecemos aos professores do Projeto Integrador I, Rodrigo e José Roque, por nos ajudarem pacientemente na confecção do projeto. À Vítor Dalcin, da empresa Ambiental Santos, por ter respondido nossas perguntas atenciosamente e à todos os restaurantes que colaboraram com a nossa pesquisa.



 

RESUMO
Considerando que o óleo de cozinha usado é altamente poluente quando descartado incorretamente e rentável se reciclado, este trabalho buscou apresentar os problemas do seu descarte incorreto e os possíveis usos após a reciclagem. Fez-se também um levantamento em restaurantes de Florianópolis para saber qual o destino dado ao óleo por estes utilizado.
Fizemos uma pesquisa bibliográfica, em livros, revistas, documentos e na internet para conhecermos sobre o assunto. Já para descobrirmos informações sobre o descarte do óleo utilizado nos restaurantes de Florianópolis, realizamos uma entrevista com um funcionário da empresa Ambiental Santos, especializada na reciclagem de óleo vegetal, e um questionário com 90 estabelecimentos (entre restaurantes, buffets e lanchonetes) do município.
Concluiu-se que são grandes e diversos os problemas causados pelo descarte incorreto do óleo.
Concluiu-se com a pesquisa realizada em estabelecimentos de Florianópolis que a maioria dos restaurantes de Florianópolis recicla o óleo de cozinha usado.
Através do questionário realizado à empresa Ambiental Santos, obteve-se as informações de que a empresa utiliza o seu óleo reciclado na indústria química e passará a reciclá-lo para se transformar em biodiesel a partir do segundo semestre de 2013. A empresa recicla cerca de 3000 toneladas de óleo usado por ano.

PALAVRAS-CHAVE: Reciclagem. Óleo. Florianópolis. Ambiental Santos.



 

SUMÁRIO



 

1. INTRODUÇÃO

O ato de reciclar não é algo recente e na sociedade moderna tomou uma importância considerável, principalmente com a constante e crescente preocupação com o meio ambiente e os recursos naturais. Geralmente se recicla metais, plásticos, vidro, papel, entre outros, porém nesse trabalho falaremos sobre a reciclagem de um item doméstico que muitos jogam fora sem saber de seu potencial e sua utilidade: o óleo de cozinha.
Geralmente extraído de vegetais, o óleo de cozinha já virou algo essencial na sociedade moderna, seja qual for sua classe social. O Brasil consome em média três bilhões de litros de óleo por ano (Interjornal, 2008). Desde volume apenas 2,5% é reutilizado em alguma finalidade no mercado, e restante, infelizmente, é descartado de forma incorreta na natureza pela população e pelas indústrias, seja no solo, na água ou ainda na queima (NASCIMENTO, A. C. M., 2010).
O óleo que foi frito algumas vezes geralmente não é reutilizado por muito tempo, já que a partir de uma determinada temperatura que este atinge quando está fervendo, sofre reações químicas que o tornam impróprio para ser utilizado na comida e assim pode causar problemas de saúde, como irritação na mucosa gástrica e piorar o estado de pessoas que tem gastrite, por exemplo, além de diminuir o valor nutricional do alimento, segundo a nutricionista Elke Stedenfeldt, da Associação Brasileira de Nutrição (Asbran).
O problema é que é comum o descarte incorreto do óleo usado. A população acaba despejando o óleo diretamente nas águas, na terra, ou simplesmente em pias e vasos sanitários, indo direto para os sistemas de esgoto causando diversos problemas, desde entupimentos até a impermeabilização do solo. Ainda há os que descartam o óleo junto com o lixo doméstico, e o mesmo pode causar problemas até mesmo quando estiver no aterro sanitário.
Já quando o óleo de cozinha é reciclado, pode ser transformado e usado na produção de vários produtos. Como exemplo se pode citar o sabão, geralmente produzidos por donas de casas. Ele é uma boa alternativa para o óleo de cozinha usado, porque se mostra de alta qualidade e também é biodegradável, já que é derivado de matéria-prima natural. Outro exemplo é o biodiesel, que acaba se tornando uma renda considerável para as empresas que o produzem a partir da reciclagem, pois hoje já se sabe que o biodiesel a partir de largas plantações (geralmente de cana-de-açúcar), degrada demasiadamente o solo e acaba prejudicando mais do que ajudando.
Escolhemos este assunto pois achamos incrível como o óleo é altamente poluente se descartado incorretamente, mas sustentável se reciclado.
No projeto pretendemos apresentar esses fatos também com informações da empresa especializada em coleta e reciclagem de óleos e gorduras vegetais Ambiental Santos.
Diante do tema reciclagem de óleo de cozinha, surgem tais questões: Quais são os problemas causados pelo descarte incorreto do óleo vegeta usado? Como o óleo é reciclado? Em que produtos o óleo reciclado pode se transformar? Restaurantes de Florianópolis reciclam óleo de cozinha?

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 OBJETIVOS GERAIS

O nosso trabalho tem como objetivo explicar o método de reciclagem de óleo mais comum utilizado pelas empresas que o reciclam e no que o óleo pode se transformar, com informações da empresa Ambiental Santos, especializada em coleta e reciclagem de óleo de cozinha usado, apresentar os malefícios do descarte incorreto do óleo e realizar um levantamento relacionado à reciclagem de óleo de cozinha usado em estabelecimentos entre restaurantes, buffets e lanchonetes de Florianópolis, já que estes são os maiores consumidores de tal produto.

1.2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

v   Informar sobre os problemas decorrentes do descarte incorreto do óleo de cozinha, gerado diariamente nos lares, indústrias e estabelecimentos do país, e descartado incorretamente devido à falta de informação da população. A mesma acaba despejando o óleo diretamente nas águas, como em rios, causando a poluição dos mesmos e prejudicando a fauna que existe ali; na terra, ajudando na impermeabilização do solo e tornando-o impróprio para uso; ou simplesmente em pias e vasos sanitários, indo direto para os sistemas de esgoto causando problemas como entupimento dos canos e o encarecimento dos processos das estações de tratamento, além de também contribuir para a poluição do meio aquático. Se o óleo é descartado junto ao lixo doméstico, aumenta desnecessariamente as áreas dos aterros sanitários e, se existe um lençol freático abaixo do aterro, este provavelmente será contaminado pelo óleo.

v   Apontar os vários possíveis destinos do óleo de fritura usado, depois de reciclado.

v   Explicar o método de reciclagem de óleo mais comum utilizado pelas empresas que o reciclam, com informações da empresa Ambiental Santos, especializada em coleta e reciclagem de óleo de cozinha usado.

v   Realizar um levantamento em estabelecimentos (restaurantes, buffets e lanchonetes) de Florianópolis para verificar se a maioria destes recicla e/ou participa de projetos de reciclagem de óleo usado, além de saber como este é coletado.


O óleo utilizado repetidamente em frituras por imersão sofre degradação, que é acelerada pela temperatura do processo, tendo como resultado a modificação das suas características químicas e físicas, conforme Pitta Junior et al (2009). O óleo torna-se viscoso, escuro, desenvolve um odor desagradável e tem sua acidez aumentada, ficando então impróprio para utilização na fritura de alimentos, pois passa a adquirir um caráter comprovadamente nocivo à saúde, podendo causar problemas como irritação na mucosa gástrica e piorar o estado de pessoas que tem gastrite, por exemplo, além de diminuir o valor nutricional do alimento, segundo a nutricionista Elke Stedenfeldt, da Associação Brasileira de Nutrição (Asbran).
 Sem mais utilização prática, chega a hora do descarte destes resíduos. A maior parte da população ainda não sabe o que se deve fazer com o óleo vegetal usado e acaba descartando-o de maneira incorreta, jogando-o na pia, no vaso sanitário, na terra. A atitude inadequada para com o óleo causa impactos sérios à natureza.

Conforme o Programa Bióleo, os prejuízos do óleo residual de cozinha descartado incorretamente atingem o meio ambiente de várias formas:
Na terra
  • Causa a impermeabilização do solo, impedindo a infiltração da água e, dessa forma, destruindo a vegetação e colaborando para o aumento da ocorrência de enchentes.
Na água
  • Cada litro de óleo contamina milhares de litros de água.
  • Ao descartamos na pia, o óleo chega, por meio dos encanamentos, aos córregos, rios e mares onde flutua, impede a entrada de luz e oxigênio, altera o ecossistema e extermina muitas espécies de vida aquática.
  • O acúmulo de óleo nas represas dificulta e encarece o sistema de tratamento da água, chegando algumas vezes a impossibilitar a sua utilização para consumo humano.
Na sua casa
  • Quando jogado no ralo ou na pia, o óleo residual de cozinha provoca entupimentos nos encanamentos e aumenta os custos de limpeza nas caixas de gordura das residências. Além disso, essa pratica contribui para aumentar a proliferação de ratos, baratas e outros transmissores de doenças.
Na rede de esgoto
  • O óleo de cozinha usado jogado em pias, ralos e vasos sanitários aumenta o custo de manutenção das redes de esgoto. E esse custo sai dos cofres públicos, ou seja, dos impostos que pagamos. Sem contar que, para fazer a manutenção, abrem-se buracos em ruas, causando transtornos também para o trânsito. Uma simples mudança de comportamento, destinando adequadamente o óleo de cozinha usado, amenizaria todos estes problemas.
No planeta
  • O óleo se degenera sobre a água e gerando grandes quantidades de gás metano, em um processo semelhante ao que ocorre nos lixões e aterros sanitários. Isso contribui sobremaneira para o efeito estufa.

Para transformar o óleo em biodiesel e glicerol (utilizado para fazer vários produtos, como o sabão), existem vários procedimentos, mas o mais comum é o de transesterificação, que é o mais usado no Brasil, conforme Victor Bianchin, da revista Mundo Estranho (Editora Abril). Veja como esse processo funciona através deste infográfico da revista Mundo Estranho:

Vale lembrar que atualmente não existe uma lei federal no Brasil que obrigue os fabricantes a recolher e reciclar o óleo. Mas muitos estados e municípios incentivam lanchonetes e restaurantes a descartar o óleo adequadamente. Existem empresas que recolhem o resíduo em bairros e estabelecimentos, fazendo parcerias com restaurantes, ONGs e supermercados para receber muitos litros da substância.


         Realizou-se uma pesquisa bibliográfica, em livros, revistas, documentos e na internet para conhecermos sobre o assunto. Já para se obter informações sobre o descarte do óleo utilizado nos restaurantes de Florianópolis, realizou-se uma entrevista com um funcionário da empresa Ambiental Santos, especializada na reciclagem de óleo vegetal,  e elaborou-se um questionário sobre o destino dado ao óleo de cozinha usado, que foi aplicado em 90 estabelecimentos (entre restaurantes, buffets e lanchonetes) do município.
         Para aumentar a autenticidade das informações obtidas através da internet, utilizou-se o site do Google acadêmico, o Google Scholar, que nos deu acesso a trabalhos acadêmicos com informações sobre o tema.

5. POSSÍVEIS DESTINOS PARA O ÓLEO DE COZINHA

O óleo de cozinha ou componentes dele, como a glicerina, podem ser transformados em outros produtos úteis para os consumidores. Os mais comuns são o sabão e o biodiesel, tanto por serem relativamente fáceis de fabricar quanto por serem os mais conhecidos entre a população.

5.1 BIODIESEL

Segundo o Laboratório de desenvolvimento de tecnologias limpas de Ribeirão Preto, o biodiesel é um biocombustível 100% renovável e alternativo ao diesel derivado do petróleo. Produzir biodiesel com óleos usados evita o lançamento destes diretamente na natureza, acarretando os malefícios já citados.
Conforme Daniel Pereira, do site Ser Melhor:
Outras vantagens do biodiesel são: evitar uma parte do lançamento de enxofre na atmosfera, substância presente no diesel de petróleo e que é um dos componentes para a chuva ácida; diminuir os índices de emissão de dióxido de carbono (CO2) e contribuir para a diminuição das importações de óleo diesel, tornando o país ainda mais auto-suficiente energeticamente.

O biodiesel pode ser usado em qualquer motor diesel sem alterações na parte mecânica, não havendo perda de potência e rendimento. Assim como os motores chamados Flex Fuel, que são movidos tanto à gasolina quanto a álcool, os motores diesel podem usar tanto óleo diesel quanto biodiesel, ou a mistura dos dois em qualquer proporção.  Livreto 2-2006 – BioDiesel Brasil

É cerca de 80% o aproveitamento do óleo usado na conversão para biodiesel, ou seja, 1 litro de óleo pode resultar em, aproximadamente, 800 ml de biodiesel (PEREIRA, 2013).
Há pouco mais de uma década, foi testada na frota de transporte coletivo da cidade de Curitiba a utilização de biodiesel de óleo de soja, doado pela “American Soybean Association”. O biodiesel foi misturado ao diesel convencional na proporção de 20%, para se verificar a eficiência desse combustível na redução da poluição ambiental. Os testes foram realizados em 20 ônibus de marcas diferentes durante três meses consecutivos e, ao final dos trabalhos, apresentaram redução média de fumaça em torno de 35%.
Esses testes também foram acompanhados por uma pesquisa de opinião pública. Dos 390 usuários de transporte coletivo que responderam o questionário, “[...] 55% responderam que a poluição do ar diminuiu nos terminais, enquanto que 58% responderam que o mau cheiro no terminal também havia diminuído” (COSTA NETO, 1999).
O odor que vem da queima do biodiesel é diferente daquele proveniente do diesel por causa do óleo vegetal. O odor de frituras expelido pelo escapamento pode ser considerado aceitável por uns, mas enjoativo por outros. Apesar disso, o biodiesel tem se mostrado uma alternativa sustentável se tratando de combustível para veículos.


5.2 SABÃO

O sabão é obtido fazendo-se reagir óleos com uma base forte, numa reação chamada saponificação. É assim que é feito o sabão reciclado: se mistura o óleo usado (filtrado para retirar as impurezas) com certa quantidade de soda cáustica (base forte). Eles reagem entre si, formando o sabão.

5.2.1 RECEITA DE SABÃO CASEIRO


Materiais:
- Algo que possa ser utilizado para misturar (não pode ser de metal, pois a soda cáustica irá corroê-lo).
- Um balde.
- Uma forma forrada com saco plástico.

Ingredientes:
- 4 litros de óleo de cozinha usado (filtrado para retirar as impurezas);
-1 kg de soda cáustica dissolvida em água;

Modo de preparo:
Misture bem os ingredientes até que demore para que a mistura escorra do objeto usado para misturar. Esta parte pode demorar. Depois que a mistura adquirir esta consistência ideal, despeje-a na forma forrada com saco plástico e deixe a mistura descansar por um dia ou até ela ficar sólida.  Por fim, retire o sabão da forma e corte-o para poder usá-lo.



Para fazer a ração suína, o óleo de cozinha usado é filtrado e misturado com: trigo, soja, farelo de trigo, farelo de arroz e mais as vitaminas e minerais que os animais necessitam.
O óleo é essencial para a produção de carne magra, sem tanta gordura, porque fornece a energia de que os suínos precisam, podendo ser controlada a quantidade de óleo a ser misturada com os grãos. Além disso, contribui para o barateamento do alimento, principalmente em locais distantes da região produtora de grãos – a Centro-Oeste –, e para a diminuição da quantidade de gases poluentes na atmosfera, emitidos pelos caminhões que transportam ração pronta para as granjas.
Em São Paulo, produzir ração com óleo vegetal ajuda as granjas a conseguirem o selo Suíno Paulista, segundo Waldomiro Ferreira, da Associação de Criadores de São Paulo. Essa certificação permite que o consumidor final tenha a possibilidade de rastrear a origem e comprovar a qualidade do produto. Sendo a produção suína uma área competitiva, são os selos de qualidade como esse que fazem a verdadeira diferença, contribuindo para o sucesso e a sobrevivência nesse mercado.

5.5 TINTAS PARA IMPRESSÃO

Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) descobriram como transformar óleo de cozinha usado em tintas para impressão. O óleo usado é filtrado e destilado. Depois destas etapas, é exposto a altas temperaturas na presença de um catalisador. No final da reação química causada é obtido um material muito viscoso, que é a base para a tinta. Aí basta adicionar os pigmentos, para fornecer a cor, e as cargas neutras, para ajustar a textura da tinta.
O projeto teve o apoio da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e aguarda o registro de patente para ser comercializado. Duas empresas já estão interessadas na invenção.
Conforme Paulo Suarez, o coordenador da pesquisa, um quilo de tinta pode ser vendida entre R$ 25,00 e R$ 30,00 para a indústria gráfica. Outros produtos criados a partir do óleo são vendidos por no máximo por R$ 3,00 o quilo. A pesquisa foi concluída em 2011 pelos alunos Guilherme Bandeira e Vinícius Mello.


6. RECICLAGEM DE ÓLEO DE COZINHA USADO EM FLORIANÓPOLIS

6.1 O DESTINO DADO AO ÓLEO UTILIZADO POR RESTAURANTES DE FLORIANÓPOLIS


            Realizou-se uma pesquisa em 90 estabelecimentos (que incluíram restaurantes, buffets e lanchonetes) de Florianópolis entre os dias 11 de junho e 8 de julho de 2013. O objetivo desta pesquisa foi analisar se a maioria dos estabelecimentos de Florianópolis recicla ou não o óleo utilizado. Nenhum estabelecimento que participou da pesquisa terá seu nome divulgado.


            Considerando-se que a maioria dos restaurantes, buffets e lanchonetes de Florianópolis estão associados à Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL) e que o número de associados à ABRASEL entre estes estabelecimento na cidade é 131, pode-se concluir que a maioria dos restaurantes de Florianópolis recicla o óleo de cozinha usado.

            A coleta de óleo nos restaurantes é realizada de modo que, quando o óleo usado atinge um limite (50 litros, por exemplo), é chamado um transporte para levá-lo à reciclagem.

            Por parte do grupo era de se esperar este resultado, principalmente porque Florianópolis é considerada pelo Guinness World Records (o livro dos recordes) como a cidade que mais recicla óleo de cozinha no mundo, fato que será tratado no próximo tópico.

6.2 FLORIANÓPOLIS: A CIDADE QUE MAIS RECICLA O ÓLEO DE COZINHA USADO NO MUNDO.


            A capital catarinense bateu um recorde mundial em setembro de 2012. Conseguiu reciclar cerca de 18,7 mil litros de óleo em 30 dias.

            A campanha Floripa no Guiness, promovida desde setembro pelo projeto ReÓleo, da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF), foi a responsável por incentivar o alcance da marca. A ideia era mobilizar toda a população da capital catarinense para superar a marca de 10 mil litros reciclados em 30 dias. No final do mês Florianópolis quase já havia dobrado a marca!
            No final de janeiro de 2013, recebeu da equipe do Guinness World Records (o livro dos recordes) o certificado de cidade que mais recicla o recurso. O feito participa do livro dos recordes de 2013. Desde que atingiu a marca até fevereiro de 2013, Florianópolis já havia reciclado cerca de 200 mil litros de óleo. A capital catarinense já recicla de 28 à 30 mil litros de óleo de cozinha usado por mês, de acordo com o projeto ReÓleo.



7. EMPRESA ESPECIALIZADA EM RECICLAGEM DE ÓLEOS E GORDURAS VEGETAIS AMBIENTAL SANTOS.

7.1 A EMPRESA


Fundada em 17 de janeiro de 1996, a Ambiental Santos é pioneira no Paraná e no litoral de Santa Catarina na coleta e reciclagem de óleos e gorduras vegetais descartados pela indústria alimentícia e pelo comércio de alimentos. Sua matriz está localizada em Itaperuçu (PR) e sua filial em São José (SC).





Atua hoje nas principais cidades do Paraná e de Santa Catarina, como Curitiba, Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Florianópolis, Joinville, Brusque, Blumenau, Itajaí, Jaraguá do Sul, Itapoá e todo o litoral paranaense e litoral norte catarinense.


7.2 QUESTIONÁRIO REALIZADO À EMPRESA


Realizou-se um questionário para se obter informações sobre a reciclagem de óleo com a empresa especializada Ambiental Santos. Este questionário, com as respectivas respostas, segue abaixo:

- Depois de coletado, para onde vai o óleo?
Resposta: O óleo coletado pela Ambiental Santos é transportado para a sua usina de reciclagem em Itaperuçu (PR).

- Vocês poderiam explicar detalhadamente o processo de reciclagem do óleo na empresa?
Resposta: Detalhadamente, não, pois temos um processo único que foi desenvolvido na própria empresa, mas o processo consiste basicamente em retirar os contaminantes físicos do óleo, sem utilização de nenhum produto químico. O óleo reciclado não é o mesmo produto que o óleo novo, pois já sofreu degradação durante o processo de fritura.

- Em que o óleo se transforma depois de reciclado (na empresa)?
Resposta: Depois de reciclado, o óleo pode ser utilizado na indústria química, como matéria-prima de muitos produtos, inclusive o biodiesel que vamos começar a fabricar no segundo semestre desse ano.

- Quantas toneladas vocês reciclam de óleo por ano?
Resposta: Em torno de 3.000 toneladas.

- Da onde vem, no geral, o óleo usado que vocês reciclam?
Resposta: Em geral do comércio (restaurantes, lanchonetes, etc) contudo também temos vários pontos de coleta onde a população leva o óleo da sua casa para reciclagem.

- Onde é armazenado o óleo coletado?
Resposta: Todo em Itaperuçu (PR) até o momento da venda.

- Vocês cobram pela coleta do óleo?
Resposta: Depende da situação. Para o pequeno comerciante, geralmente não cobramos nada. Grandes empresas já tem custo para destinar o óleo.

- O que é feito na filial de São José (SC)?
Resposta: Atualmente apenas a “organização” da coleta na região. Esperamos que de 5 a 10 anos já tenhamos uma usina de reciclagem operando na região.


8. CONSIDERAÇÕES FINAIS


Nesse trabalho, através de pesquisas realizadas pela equipe tanto por meio de arquivos quanto por pesquisas de campo, verificaram-se as grandes proporções dos problemas do descarte incorreto do óleo de cozinha vegetal e apontou-se como ele pode ser reciclado e todo o processo de reciclagem do mesmo. Foi analisada a variedade de itens que podem ser obtidos através da reciclagem do óleo de cozinha.
Concluiu-se com a pesquisa realizada em restaurantes de Florianópolis que, de 90 estabelecimentos entrevistados, 84 reciclam o óleo ou mandam para alguma terceirizada, 3 não souberam o destino dado ao óleo e 3 não o reciclam. Ou seja, a maioria dos restaurantes de Florianópolis recicla o óleo de cozinha usado. Isto também pode ser confirmado pelo fato de que Florianópolis é considerada pelo Guiness World Records (o livro dos recordes) como a cidade que mais recicla óleo de cozinha no mundo.
Através do questionário realizado à empresa Ambiental Santos, obteve-se as informações de que a empresa utiliza o seu óleo reciclado na indústria química e passará a reciclá-lo para se transformar em biodiesel a partir do segundo semestre de 2013. A empresa recicla cerca de 3000 toneladas de óleo por ano e o óleo reciclado vem principalmente do comércio (restaurantes, lanchonetes, etc), contudo também vem de vários pontos de coleta onde a população leva o óleo da sua casa para reciclagem.


9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PITTA JUNIOR, O. S. R.; NOGUEIRA NETO, M. S.; SACOMANO, J. B.; LIMA, J. L. A.. Reciclagem do óleo de cozinha usado. 2009. Disponível em: http://www.advancesincleanerproduction.net/second/files/sessoes/4b/2/M.%20S.%20Nogueira%20-%20Resumo%20Exp.pdf. Acessado em: Maio/2013.
GÜNTHER, Hartmut. Pesquisa Qualitativa Versus Pesquisa Quantitativa: Esta É a Questão?. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2.pdf. Acesso em: 31/05/2013
TIEGHI, Ana Luiza. Reciclagem do óleo de cozinha evita graves problemas ambientais. Disponível em: http://jpress.jornalismojunior.com.br/2012/11/reciclagem-oleo-cozinha-evita-graves-problemas-ambientais/.  Acesso em: 31/05/2013
SALOMÃO, Silvana T. Projeto de Pesquisa. Disponível em: http://www.slideshare.net/silvanatsal/projeto-de-pesquisa.   Acesso em: 31/05/2013
RABELO, R. A.; FERREIRA, O. M. Coleta Seletiva de Óleo Residual de Fritura para Aproveitamento Industrial. Goiânia: Arquivos de Pós-graduação da PUC de Goiás, 2008. Disponível em: http://www.ucg.br/ucg/prope/cpgss/ArquivosUpload/36/file/Continua/COLETA%20SELETIVA%20DE%20%C3%93LEO%20RESIDUAL%20DE%20FRITURA%20PARA%20AP%E2%80%A6.pdf.  Acesso em: 31/05/2013.
DE GODOY, P. O. et al. Consciência Limpa: Reciclando o Óleo de Cozinha. Anuário da Produção de Iniciação Científica Discente. v. 13, nº 17, 2010. Disponível em: http://www.sare.anhanguera.com/index.php/anuic/article/view/2969/1084. Acesso em: 01/06/2013.
NETO, Pedro R. C.; et al. Produção de biocombustível alternativo ao óleo diesel. 1999. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/qn/v23n4/2654.pdf.  Acessado em: Junho/2013.
PEREIRA, Daniel. Óleo de fritura - o problema tem solução. Disponível em: http://www.sermelhor.com/ecologia/oleo-de-fritura-o-problema-tem-solucao.html. 2007. Acesso em: Junho/2013.
BIANCHIN, Victor. Como é feita a reciclagem de óleo?. Revista Mundo Estranho, Editora Abril. Disponível em: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-e-feita-a-reciclagem-de-oleo. Acesso em: Junho/2013.
Projeto Bióleo. Descarte inadequado do óleo. Disponível em: http://bioleo.org.br/programa-bioleo/descarte-inadequado/. Acesso em: Junho/2013.
FABILL, Thaiza. Reciclagem de óleo de cozinha é uma alternativa ecologicamente correta e de fonte de energia. Disponível em: http://www.ditudoweb.com.br/conteudo/noticias/id-317/reciclagem_de_oleo_de_cozinha_e_uma_alternativa_ecologicamente_correta_e_de_fonte_de_energia. Acesso em: Julho/2013.
PIVA, Juan. Voluntário desenvolve detergente a base de óleo de cozinha usado. Disponível em: http://www.barcoescola.org.br/blog/?p=184. Acesso em: Julho/2013.
A força do biodiesel. Disponível em:  http://www.tnsustentavel.com.br/biodiesel. Acesso em: Julho/2013.
História da empresa Ambiental Santos. Disponível em http://ambientalsantos.com.br/sobre-a-ambiental-santos/historia/. Acesso em: 13/07/2013
Estabelecimentos associados à Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL) em Santa Catarina. Disponível em: http://sc.abrasel.com.br/index.php/associados. Acesso em: 04/07/2013.
SANTOS, H.; VIANNA, R. Ração com óleo reciclado. Globo Rural. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=rJ0Yo9dnxks. Acesso em: 13/07/2013.
Óleo de cozinha vira tinta de impressão. Disponível em: http://universojatoba.com.br/oleo-de-cozinha-vira-tinta-de-impressao/. Acesso em: 13/07/2013.
Alunos da UnB usam óleo de cozinha para criar tinta de impressão. Disponível em: http://www.cdt.unb.br/noticias/index/detalhanoticia/filtro/971/?menu-principal=noticias&menu-action=noticias. Acesso em: 13/07/2013.