INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E
TECNOLOGIA DE SANTA CATARINA
CÂMPUS FLORIANÓPOLIS
DEPARTAMENTO DE LINGUAGEM, TECNOLOGIA,
EDUCAÇÃO E CIÊNCIA
CURSO INTEGRADO DE ELETRÔNICA
Amabyle
R. Heck
André
L. Gomes
Luan
R. Boschini
Lucas
C. da Silva
Vítor
M. Nunes
Reciclagem de Óleo de Cozinha
Trabalho
final do Projeto Integrador 1.
Florianópolis
2013
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E
TECNOLOGIA DE SANTA CATARINA
CÂMPUS FLORIANÓPOLIS
DEPARTAMENTO DE LINGUAGEM, TECNOLOGIA,
EDUCAÇÃO E CIÊNCIA
CURSO INTEGRADO DE ELETRÔNICA
Amabyle
R. Heck
André
L. Gomes
Luan
R. Boschini
Lucas
C. da Silva
Vítor
M. Nunes
Reciclagem de Óleo de Cozinha
Trabalho final, entregue como requisito
para conclusão da Unidade curricular Projeto integrador 1. Professores
orientadores: José Roque e Rodrigo.
Florianópolis
Agradecemos
aos professores do Projeto Integrador I, Rodrigo e José Roque, por nos ajudarem
pacientemente na confecção do projeto. À Vítor Dalcin, da empresa Ambiental
Santos, por ter respondido nossas perguntas atenciosamente e à todos os
restaurantes que colaboraram com a nossa pesquisa.
RESUMO
Considerando que o óleo de cozinha usado é altamente poluente quando
descartado incorretamente e rentável se reciclado, este trabalho buscou
apresentar os problemas do seu descarte incorreto e os possíveis usos após a
reciclagem. Fez-se também um levantamento em restaurantes de Florianópolis para
saber qual o destino dado ao óleo por estes utilizado.
Fizemos uma pesquisa bibliográfica, em livros, revistas, documentos e na
internet para conhecermos sobre o assunto. Já para descobrirmos informações
sobre o descarte do óleo utilizado nos restaurantes de Florianópolis,
realizamos uma entrevista com um funcionário da empresa Ambiental Santos,
especializada na reciclagem de óleo vegetal, e um questionário com 90 estabelecimentos
(entre restaurantes, buffets e lanchonetes) do município.
Concluiu-se que são grandes e diversos os problemas causados pelo
descarte incorreto do óleo.
Concluiu-se com a pesquisa realizada em estabelecimentos de Florianópolis
que a maioria dos restaurantes de Florianópolis recicla o óleo de cozinha
usado.
Através do questionário realizado à empresa Ambiental Santos, obteve-se
as informações de que a empresa utiliza o seu óleo reciclado na indústria
química e passará a reciclá-lo para se transformar em biodiesel a partir do
segundo semestre de 2013. A empresa recicla cerca de 3000 toneladas de óleo
usado por ano.
PALAVRAS-CHAVE: Reciclagem. Óleo. Florianópolis. Ambiental Santos.
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO
O
ato de reciclar não é algo recente e na sociedade moderna tomou uma importância
considerável, principalmente com a constante e crescente preocupação com o meio
ambiente e os recursos naturais. Geralmente se recicla metais, plásticos,
vidro, papel, entre outros, porém nesse trabalho falaremos sobre a reciclagem
de um item doméstico que muitos jogam fora sem saber de seu potencial e sua
utilidade: o óleo de cozinha.
Geralmente
extraído de vegetais, o óleo de cozinha já virou algo essencial na sociedade
moderna, seja qual for sua classe social. O Brasil consome em média três
bilhões de litros de óleo por ano (Interjornal, 2008). Desde volume apenas 2,5%
é reutilizado em alguma finalidade no mercado, e restante, infelizmente, é
descartado de forma incorreta na natureza pela população e pelas indústrias,
seja no solo, na água ou ainda na queima (NASCIMENTO, A. C. M., 2010).
O
óleo que foi frito algumas vezes geralmente não é reutilizado por muito tempo,
já que a partir de uma determinada temperatura que este atinge quando está
fervendo, sofre reações químicas que o tornam impróprio para ser utilizado na
comida e assim pode causar problemas de saúde, como irritação na mucosa
gástrica e piorar o estado de pessoas que tem gastrite, por exemplo, além de
diminuir o valor nutricional do alimento, segundo a nutricionista Elke
Stedenfeldt, da Associação Brasileira de Nutrição (Asbran).
O
problema é que é comum o descarte incorreto do óleo usado. A população acaba
despejando o óleo diretamente nas águas, na terra, ou simplesmente em pias e
vasos sanitários, indo direto para os sistemas de esgoto causando diversos
problemas, desde entupimentos até a impermeabilização do solo. Ainda há os que
descartam o óleo junto com o lixo doméstico, e o mesmo pode causar problemas
até mesmo quando estiver no aterro sanitário.
Já
quando o óleo de cozinha é reciclado, pode ser transformado e usado na produção
de vários produtos. Como exemplo se pode citar o sabão, geralmente produzidos
por donas de casas. Ele é uma boa alternativa para o óleo de cozinha usado,
porque se mostra de alta qualidade e também é biodegradável, já que é derivado
de matéria-prima natural. Outro exemplo é o biodiesel, que acaba se tornando
uma renda considerável para as empresas que o produzem a partir da reciclagem,
pois hoje já se sabe que o biodiesel a partir de largas plantações (geralmente
de cana-de-açúcar), degrada demasiadamente o solo e acaba prejudicando mais do
que ajudando.
Escolhemos
este assunto pois achamos incrível como o óleo é altamente poluente se descartado
incorretamente, mas sustentável se reciclado.
No
projeto pretendemos apresentar esses fatos também com informações da empresa
especializada em coleta e reciclagem de óleos e gorduras vegetais Ambiental
Santos.
Diante
do tema reciclagem de óleo de cozinha, surgem tais questões: Quais são os
problemas causados pelo descarte incorreto do óleo vegeta usado? Como o óleo é
reciclado? Em que produtos o óleo reciclado pode se transformar? Restaurantes
de Florianópolis reciclam óleo de cozinha?
1.2 OBJETIVOS
1.2.1 OBJETIVOS GERAIS
O
nosso trabalho tem como objetivo explicar o método de reciclagem de óleo mais
comum utilizado pelas empresas que o reciclam e no que o óleo pode se
transformar, com informações da empresa Ambiental Santos, especializada em coleta
e reciclagem de óleo de cozinha usado, apresentar os malefícios do
descarte incorreto do óleo e realizar um levantamento relacionado à reciclagem
de óleo de cozinha usado em estabelecimentos entre restaurantes, buffets e
lanchonetes de Florianópolis, já que estes são os maiores consumidores de tal
produto.
1.2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
v Informar sobre os problemas
decorrentes do descarte incorreto do óleo de cozinha, gerado diariamente nos
lares, indústrias e estabelecimentos do país, e descartado incorretamente
devido à falta de informação da população. A mesma acaba despejando o óleo
diretamente nas águas, como em rios, causando a poluição dos mesmos e
prejudicando a fauna que existe ali; na terra, ajudando na impermeabilização do
solo e tornando-o impróprio para uso; ou simplesmente em pias e vasos
sanitários, indo direto para os sistemas de esgoto causando problemas como
entupimento dos canos e o encarecimento dos processos das estações de
tratamento, além de também contribuir para a poluição do meio aquático. Se o
óleo é descartado junto ao lixo doméstico, aumenta desnecessariamente as áreas
dos aterros sanitários e, se existe um lençol freático abaixo do aterro, este
provavelmente será contaminado pelo óleo.
v Apontar os vários possíveis
destinos do óleo de fritura usado, depois de reciclado.
v
Explicar o método
de reciclagem de óleo mais comum utilizado pelas empresas que o reciclam, com
informações da empresa Ambiental Santos, especializada em coleta e reciclagem
de óleo de cozinha usado.
v Realizar
um levantamento em estabelecimentos (restaurantes, buffets e lanchonetes) de
Florianópolis para verificar se a maioria destes recicla e/ou participa de
projetos de reciclagem de óleo usado, além de saber como este é coletado.
O
óleo utilizado repetidamente em frituras por imersão sofre degradação, que é
acelerada pela temperatura do processo, tendo como resultado a modificação das
suas características químicas e físicas, conforme Pitta Junior et al (2009). O
óleo torna-se viscoso, escuro, desenvolve um odor desagradável e tem sua acidez
aumentada, ficando então impróprio para utilização na fritura de alimentos,
pois passa a adquirir um caráter comprovadamente nocivo à saúde, podendo causar
problemas como irritação na mucosa gástrica e piorar o estado de pessoas que
tem gastrite, por exemplo, além de diminuir o valor nutricional do alimento,
segundo a nutricionista Elke Stedenfeldt, da Associação Brasileira de Nutrição
(Asbran).
Sem mais utilização prática, chega a hora do
descarte destes resíduos. A maior parte da população ainda não sabe o que se
deve fazer com o óleo vegetal usado e acaba descartando-o de maneira incorreta,
jogando-o na pia, no vaso sanitário, na terra. A atitude inadequada para com o óleo
causa impactos sérios à natureza.
Conforme o Programa Bióleo, os prejuízos
do óleo residual de cozinha descartado incorretamente atingem o meio ambiente
de várias formas:
Na terra
- Causa a impermeabilização do solo, impedindo a infiltração da água e, dessa forma, destruindo a vegetação e colaborando para o aumento da ocorrência de enchentes.
Na água
- Cada litro de óleo contamina milhares de litros de água.
- Ao descartamos na pia, o óleo chega, por meio dos encanamentos, aos córregos, rios e mares onde flutua, impede a entrada de luz e oxigênio, altera o ecossistema e extermina muitas espécies de vida aquática.
- O acúmulo de óleo nas represas dificulta e encarece o sistema de tratamento da água, chegando algumas vezes a impossibilitar a sua utilização para consumo humano.
Na sua
casa
- Quando jogado no ralo ou na pia, o óleo residual de cozinha provoca entupimentos nos encanamentos e aumenta os custos de limpeza nas caixas de gordura das residências. Além disso, essa pratica contribui para aumentar a proliferação de ratos, baratas e outros transmissores de doenças.
Na rede
de esgoto
- O óleo de cozinha usado jogado em pias, ralos e vasos sanitários aumenta o custo de manutenção das redes de esgoto. E esse custo sai dos cofres públicos, ou seja, dos impostos que pagamos. Sem contar que, para fazer a manutenção, abrem-se buracos em ruas, causando transtornos também para o trânsito. Uma simples mudança de comportamento, destinando adequadamente o óleo de cozinha usado, amenizaria todos estes problemas.
No
planeta
- O óleo se degenera sobre a água e gerando grandes quantidades de gás metano, em um processo semelhante ao que ocorre nos lixões e aterros sanitários. Isso contribui sobremaneira para o efeito estufa.
Para transformar o óleo em biodiesel e glicerol (utilizado para fazer
vários produtos, como o sabão), existem vários procedimentos, mas o mais comum
é o de transesterificação, que é o
mais usado no Brasil, conforme Victor Bianchin, da revista Mundo Estranho
(Editora Abril). Veja como esse processo funciona através deste infográfico da
revista Mundo Estranho:
Vale lembrar que atualmente não existe uma lei federal no Brasil que
obrigue os fabricantes a recolher e reciclar o óleo. Mas muitos estados e municípios
incentivam lanchonetes e restaurantes a descartar o óleo adequadamente. Existem
empresas que recolhem o resíduo em bairros e estabelecimentos, fazendo
parcerias com restaurantes, ONGs e supermercados para receber muitos litros da
substância.
Realizou-se
uma pesquisa bibliográfica, em livros, revistas, documentos e na internet para
conhecermos sobre o assunto. Já para se obter informações sobre o descarte do
óleo utilizado nos restaurantes de Florianópolis, realizou-se uma entrevista
com um funcionário da empresa Ambiental Santos, especializada na reciclagem de
óleo vegetal, e elaborou-se um
questionário sobre o destino dado ao óleo de cozinha usado, que foi aplicado em
90 estabelecimentos (entre restaurantes, buffets e lanchonetes) do município.
Para aumentar a
autenticidade das informações obtidas através da internet, utilizou-se o site
do Google acadêmico, o Google Scholar, que nos deu acesso a trabalhos
acadêmicos com informações sobre o tema.
5. POSSÍVEIS DESTINOS PARA O ÓLEO DE COZINHA
O óleo de cozinha ou componentes dele, como a glicerina, podem ser
transformados em outros produtos úteis para os consumidores. Os mais comuns são
o sabão e o biodiesel, tanto por serem relativamente fáceis de fabricar quanto
por serem os mais conhecidos entre a população.
5.1 BIODIESEL
Segundo o Laboratório de desenvolvimento de tecnologias limpas de
Ribeirão Preto, o biodiesel é um biocombustível 100% renovável e alternativo ao
diesel derivado do petróleo. Produzir biodiesel com óleos usados evita o
lançamento destes diretamente na natureza, acarretando os malefícios já citados.
Conforme Daniel Pereira, do site Ser Melhor:
Outras
vantagens do biodiesel são: evitar uma parte do lançamento de enxofre na
atmosfera, substância presente no diesel de petróleo e que é um dos componentes
para a chuva ácida; diminuir os índices de emissão de dióxido de carbono (CO2)
e contribuir para a diminuição das importações de óleo diesel, tornando o país
ainda mais auto-suficiente energeticamente.
O biodiesel
pode ser usado em qualquer motor diesel sem alterações na parte mecânica, não havendo
perda de potência e rendimento. Assim como os motores chamados Flex Fuel, que
são movidos tanto à gasolina quanto a álcool, os motores diesel podem usar
tanto óleo diesel quanto biodiesel, ou a mistura dos dois em qualquer
proporção. – Livreto 2-2006 – BioDiesel Brasil
É cerca de 80% o aproveitamento do óleo usado na conversão para biodiesel,
ou seja, 1 litro de óleo pode resultar em, aproximadamente, 800 ml de biodiesel
(PEREIRA, 2013).
Há pouco mais de uma década, foi testada na frota de transporte coletivo
da cidade de Curitiba a utilização de biodiesel de óleo de soja, doado pela
“American Soybean Association”. O biodiesel foi misturado ao diesel
convencional na proporção de 20%, para se verificar a eficiência desse
combustível na redução da poluição ambiental. Os testes foram realizados em 20
ônibus de marcas diferentes durante três meses consecutivos e, ao final dos
trabalhos, apresentaram redução média de fumaça em torno de 35%.
Esses testes também foram acompanhados por uma pesquisa de opinião
pública. Dos 390 usuários de transporte coletivo que responderam o
questionário, “[...] 55% responderam que a poluição do ar diminuiu nos
terminais, enquanto que 58% responderam que o mau cheiro no terminal também
havia diminuído” (COSTA NETO, 1999).
O odor que vem da queima do biodiesel é diferente daquele proveniente do
diesel por causa do óleo vegetal. O odor de frituras expelido pelo escapamento
pode ser considerado aceitável por uns, mas enjoativo por outros. Apesar disso,
o biodiesel tem se mostrado uma alternativa sustentável se tratando de
combustível para veículos.
5.2 SABÃO
O sabão é obtido fazendo-se reagir óleos com uma base forte, numa reação
chamada saponificação. É assim que é feito o sabão reciclado: se mistura o óleo
usado (filtrado para retirar as impurezas) com certa quantidade de soda
cáustica (base forte). Eles reagem entre si, formando o sabão.
5.2.1 RECEITA DE SABÃO CASEIRO
Materiais:
- Algo que possa ser utilizado para misturar (não
pode ser de metal, pois a soda cáustica irá corroê-lo).
- Um balde.
- Uma forma forrada com saco plástico.
Ingredientes:
- 4 litros de óleo de cozinha usado (filtrado para
retirar as impurezas);
-1 kg de soda cáustica dissolvida em água;
Modo de preparo:
Misture bem os ingredientes até que demore para que
a mistura escorra do objeto usado para misturar. Esta parte pode demorar.
Depois que a mistura adquirir esta consistência ideal, despeje-a na forma
forrada com saco plástico e deixe a mistura descansar por um dia ou até ela
ficar sólida. Por fim, retire o sabão da
forma e corte-o para poder usá-lo.
Para fazer a ração suína, o óleo de cozinha usado é filtrado e misturado
com: trigo, soja, farelo de trigo, farelo de arroz e mais as vitaminas e
minerais que os animais necessitam.
O óleo é essencial para a produção de carne magra, sem tanta gordura,
porque fornece a energia de que os suínos precisam, podendo ser controlada a
quantidade de óleo a ser misturada com os grãos. Além disso, contribui para o
barateamento do alimento, principalmente em locais distantes da região
produtora de grãos – a Centro-Oeste –, e para a diminuição da quantidade de
gases poluentes na atmosfera, emitidos pelos caminhões que transportam ração
pronta para as granjas.
Em São Paulo, produzir ração com óleo vegetal ajuda as granjas a
conseguirem o selo Suíno Paulista, segundo Waldomiro Ferreira, da Associação de
Criadores de São Paulo. Essa certificação permite que o consumidor final tenha
a possibilidade de rastrear a origem e comprovar a qualidade do produto. Sendo
a produção suína uma área competitiva, são os selos de qualidade como esse que
fazem a verdadeira diferença, contribuindo para o sucesso e a sobrevivência
nesse mercado.
5.5 TINTAS PARA IMPRESSÃO
Estudantes da Universidade de Brasília (UnB)
descobriram como transformar óleo de cozinha usado em tintas para impressão. O
óleo usado é filtrado e destilado. Depois destas etapas, é exposto a altas
temperaturas na presença de um catalisador. No final da reação química causada é
obtido um material muito viscoso, que é a base para a tinta. Aí basta adicionar
os pigmentos, para fornecer a cor, e as cargas neutras, para ajustar a textura
da tinta.
O projeto teve o apoio da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e aguarda
o registro de patente para ser comercializado. Duas empresas já estão
interessadas na invenção.
Conforme Paulo Suarez, o coordenador da pesquisa, um
quilo de tinta pode ser vendida entre R$ 25,00 e R$ 30,00 para a indústria
gráfica. Outros produtos criados a partir do óleo são vendidos por no máximo
por R$ 3,00 o quilo. A pesquisa foi concluída em 2011 pelos alunos Guilherme
Bandeira e Vinícius Mello.
6. RECICLAGEM DE ÓLEO DE COZINHA USADO EM FLORIANÓPOLIS
6.1 O DESTINO DADO AO ÓLEO UTILIZADO POR RESTAURANTES DE FLORIANÓPOLIS
Realizou-se uma pesquisa em 90
estabelecimentos (que incluíram restaurantes, buffets e lanchonetes) de
Florianópolis entre os dias 11 de junho e 8 de julho de 2013. O objetivo desta
pesquisa foi analisar se a maioria dos estabelecimentos de Florianópolis recicla
ou não o óleo utilizado. Nenhum estabelecimento que participou da pesquisa terá
seu nome divulgado.
Considerando-se que a maioria dos
restaurantes, buffets e lanchonetes de Florianópolis estão associados à
Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL) e que o número de
associados à ABRASEL entre estes estabelecimento na cidade é 131, pode-se
concluir que a maioria dos restaurantes de Florianópolis recicla o óleo de
cozinha usado.
A coleta de óleo nos restaurantes é
realizada de modo que, quando o óleo usado atinge um limite (50 litros, por
exemplo), é chamado um transporte para levá-lo à reciclagem.
Por parte do grupo era de se esperar
este resultado, principalmente porque Florianópolis é considerada pelo Guinness
World Records (o livro dos recordes) como a cidade que mais recicla óleo de
cozinha no mundo, fato que será tratado no próximo tópico.
6.2 FLORIANÓPOLIS: A CIDADE QUE MAIS RECICLA O ÓLEO DE COZINHA USADO NO MUNDO.
A capital catarinense bateu um
recorde mundial em setembro de 2012. Conseguiu reciclar cerca de 18,7 mil
litros de óleo em 30 dias.
A campanha Floripa no Guiness,
promovida desde setembro pelo projeto ReÓleo, da Associação Comercial e
Industrial de Florianópolis (ACIF), foi a responsável por incentivar o alcance
da marca. A ideia era mobilizar toda a população da capital catarinense para
superar a marca de 10 mil litros reciclados em 30 dias. No final do mês
Florianópolis quase já havia dobrado a marca!
No final de janeiro de 2013, recebeu
da equipe do Guinness World Records (o livro dos recordes) o certificado de
cidade que mais recicla o recurso. O feito participa do livro dos recordes de
2013. Desde que atingiu a marca até fevereiro de 2013, Florianópolis já havia
reciclado cerca de 200 mil litros de óleo. A capital catarinense já recicla de
28 à 30 mil litros de óleo de cozinha usado por mês, de acordo com o projeto
ReÓleo.
7. EMPRESA ESPECIALIZADA EM RECICLAGEM DE ÓLEOS E GORDURAS VEGETAIS AMBIENTAL SANTOS.
7.1 A EMPRESA
Fundada em 17 de janeiro de 1996, a Ambiental Santos é pioneira no
Paraná e no litoral de Santa Catarina na coleta e reciclagem de óleos e
gorduras vegetais descartados pela indústria alimentícia e pelo comércio de
alimentos. Sua matriz está localizada em Itaperuçu (PR) e sua filial em São
José (SC).
Atua hoje nas principais cidades do Paraná e de Santa Catarina, como Curitiba, Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Florianópolis, Joinville, Brusque, Blumenau, Itajaí, Jaraguá do Sul, Itapoá e todo o litoral paranaense e litoral norte catarinense.
7.2 QUESTIONÁRIO REALIZADO À EMPRESA
Realizou-se um questionário para se obter informações sobre a reciclagem
de óleo com a empresa especializada Ambiental Santos. Este questionário, com as
respectivas respostas, segue abaixo:
- Depois
de coletado, para onde vai o óleo?
Resposta: O óleo coletado pela Ambiental Santos é transportado para a
sua usina de reciclagem em Itaperuçu (PR).
- Vocês
poderiam explicar detalhadamente o processo de reciclagem do óleo na empresa?
Resposta: Detalhadamente, não, pois temos um processo único que foi
desenvolvido na própria empresa, mas o processo consiste basicamente em retirar
os contaminantes físicos do óleo, sem utilização de nenhum produto químico. O
óleo reciclado não é o mesmo produto que o óleo novo, pois já sofreu degradação
durante o processo de fritura.
- Em que
o óleo se transforma depois de reciclado (na empresa)?
Resposta: Depois de reciclado, o óleo pode ser utilizado na indústria
química, como matéria-prima de muitos produtos, inclusive o biodiesel que vamos
começar a fabricar no segundo semestre desse ano.
- Quantas
toneladas vocês reciclam de óleo por ano?
Resposta: Em torno de 3.000 toneladas.
- Da onde
vem, no geral, o óleo usado que vocês reciclam?
Resposta: Em geral do comércio (restaurantes, lanchonetes, etc) contudo
também temos vários pontos de coleta onde a população leva o óleo da sua casa
para reciclagem.
- Onde é
armazenado o óleo coletado?
Resposta: Todo em Itaperuçu (PR) até o momento da venda.
- Vocês
cobram pela coleta do óleo?
Resposta: Depende da situação. Para o pequeno comerciante, geralmente
não cobramos nada. Grandes empresas já tem custo para destinar o óleo.
- O que é
feito na filial de São José (SC)?
Resposta: Atualmente apenas a “organização” da coleta na região. Esperamos
que de 5 a 10 anos já tenhamos uma usina de reciclagem operando na região.
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesse trabalho, através de pesquisas realizadas pela equipe tanto por
meio de arquivos quanto por pesquisas de campo, verificaram-se as grandes
proporções dos problemas do descarte incorreto do óleo de cozinha vegetal e
apontou-se como ele pode ser reciclado e todo o processo de reciclagem do
mesmo. Foi analisada a variedade de itens que podem ser obtidos através da
reciclagem do óleo de cozinha.
Concluiu-se com a pesquisa realizada em restaurantes de Florianópolis
que, de 90 estabelecimentos entrevistados, 84 reciclam o óleo ou mandam para
alguma terceirizada, 3 não souberam o destino dado ao óleo e 3 não o reciclam.
Ou seja, a maioria dos restaurantes de Florianópolis recicla o óleo de cozinha
usado. Isto também pode ser confirmado pelo fato de que Florianópolis é
considerada pelo Guiness World Records (o livro dos recordes) como a cidade que
mais recicla óleo de cozinha no mundo.
Através do questionário realizado à empresa Ambiental Santos, obteve-se
as informações de que a empresa utiliza o seu óleo reciclado na indústria
química e passará a reciclá-lo para se transformar em biodiesel a partir do
segundo semestre de 2013. A empresa recicla cerca de 3000 toneladas de óleo por
ano e o óleo reciclado vem principalmente do comércio (restaurantes,
lanchonetes, etc), contudo também vem de vários pontos de coleta onde a
população leva o óleo da sua casa para reciclagem.
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Alunos da UnB usam
óleo de cozinha para criar tinta de impressão. Disponível em: http://www.cdt.unb.br/noticias/index/detalhanoticia/filtro/971/?menu-principal=noticias&menu-action=noticias. Acesso em:
13/07/2013.
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